G1 – Crise hídrica seca poços caipiras em áreas rurais da região de Campinas – notícias em Campinas e Região

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Proprietários investem em poços artesianos que custam R$ 40 mil.PCJ defende construção de contenções para salvar lençol freático.

O aposentado Edgard Pereira mostra córrego com volume baixo em Campinas (Foto: Luciano Calafiori/G1)O aposentado Edgard Pereira mostra córrego
em Campinas (Foto: Luciano Calafiori/G1)

A  maior crise hídrica em 90 anos secou poços caipiras (que obtém água de lençóis freáticos) de propriedades rurais na região de Campinas(SP). O recurso retirado era usado para tudo, segundo os sitiantes.

Sem os reservatórios, os proprietários dos imóveis estão investindo em poços artesianos e ligações para abastecimento pelas empresas concessionárias que fornecem água (quando possível), como nas áreas urbanas.

“O meu poço, que chegou a ter entre oito e dez metros de água, secou no fim do ano passado. Só de profundidade eram 25 metros”, lamenta o proprietário de um sítio no Distrito de Joaquim Egídio, em Campinas.

Ele contou sobre o problema, mas pediu para não ser identificado. Para ter água precisou construir um poço artesiano que custou R$ 40 mil.“A gente usa água para tudo no sítio. Até porque eu moro lá”, completa.

Ainda no distrito rural de Campinas, o aposentado Edgard Pereira lamenta o volume baixo do Córrego das Cabras, que encontra o Rio Atibaia no Distrito de Sousas. O Atibaia abastece 95% de Campinas.

“O volume é sempre bom, mas de uns tempos para cá está baixo”, explica o morador que se mudou da área urbana para Joaquim Egídio há 11 anos.

Poço seco em Valinhos
“O poço caipira da minha propriedade secou. Nós precisamos fazer ligação direito da rua [empresa de água]. Usávamos a água para tudo”, explica Ruth Di Giorgio Augusti, que tem uma propriedade em Valinhos (SP), no bairro Country Club.

O reservatório da propriedade tinha três metros de profundidade, segundo Ruth Augusti.

Nascentes também secas
O secretário executivo do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), Francisco Lahóz, lembra que há dois anos as temperaturas na região estão mais elevadas e as chuvas registradas são 50% menores das médias históricas. “Nós estamos com temperaturas extremas desde 2013  e com chuvas de 5 a 10 milímetros. Elas não alimentam o solo”, explica o especialista.

Ainda segundo Lahóz, estudos apontam que 58% das nascentes da região secaram. Para ele, uma das saídas a curto e médio prazos seria investir em pequenas reservas de contenção para garantir água para o sustento e  alimentar o lençol freático.

“Este tipo de contenção pode ser feita com uma leve retirada da casca do solo para manter a agricultura, o plantio e permitir que a água alimente o subsolo”, defende.

Diante da crise hídrica, o consórcio defende também que toda gota de água seja aproveitada e que consumidores de áreas industriais e comerciais, como os shoppings, passem a ter sistema de reserva de água da chuva nos telhados e nos estacionamentos. De acordo com a entidade, este sistema pode alimentar poços caseiros e até os profundos.

Aumento de outorgas
Só no primeiro semestre de 2015, o número de outorgas – autorização para captação de recursos do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) – chegou a 3.837 no estado. Cerca de 30% foram para as regiões de Campinas, Piracicaba e Sorocaba, segundo o DAEE.

Este número de 3.837 outorgas é 62,5% maior em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ao G1, o DAEE informou que todos que querem um poço artesiano, por exemplo, vão precisar de autorização para captação. Isso vale também para captações e lançamento de efluentes nos cursos d’água superficiais; extração de águas subterrâneas para qualquer finalidade. E ainda para abastecimento público, irrigação e industrial.

Em caso de poço artesiano, o interessado precisa verificar se o local encontra-se inserido ou não em um raio de 500 metros de distância de alguma área declarada contaminada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Se estiver, a outorga precisa de manifestação da Cetesb.

Rio Atibaia, em Campinas, com nível baixo nesta semana (Foto: Luciano Calafiori/G1)Rio Atibaia, em Campinas, com nível baixo nesta semana (Foto: Luciano Calafiori/G1)

Fonte: G1 – Crise hídrica seca poços caipiras em áreas rurais da região de Campinas – notícias em Campinas e Região