Fazenda Bonfim agora é patrimônio de Campinas

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Após 26 anos de estudos, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) tombou a Fazenda Bonfim, no distrito de Joaquim Egídio. Dominique Torquato/AAN

Após 26 anos de estudos, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) tombou a Fazenda Bonfim, no distrito de Joaquim Egídio.

Após 26 anos de estudos, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) tombou a Fazenda Bonfim, no distrito de Joaquim Egídio. A decisão foi publicada quarta-feira no Diário Oficial e com isso a casa-sede, terreiros de café, capela e demais dependências se tornaram patrimônio cultural de Campinas. Outras 29 fazendas existentes em Sousas, Joaquim Egídio e na área da Administração Regional 14 (eixo entre a Rodovia Adhemar de Barros e o limite com Jaguariúna), que tiveram estudos abertos em 2005, ainda esperam por uma decisão do conselho.
A Bonfim, assim como as demais fazendas dos dois distritos que surgiram de latifúndios originários de sesmarias no século 18, foram muito importantes para o desenvolvimento econômico de Campinas. Primeiro como produtoras de açúcar e álcool, depois importantes produtoras de café. Em 1830, o café já estava consolidado na região, de modo que em 1854 havia em Campinas 117 fazendas com a produção anual de mais de 300 mil arrobas de café. Ele foi a cultura prioritária até a quebra da Bolsa de Nova York em 1929, quando a maioria dos fazendeiros praticamente faliu. Hoje, há uma agricultura diversificada nessas fazendas e poucas são as que ainda se dedicam ao café (caso da Fazenda Monte d’Este e da Bonfim, por exemplo). Procurados, os proprietários da fazenda não se manifestaram.Foto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AANFoto por: Dominique Torquato/AAN
Fundada em 1820 pelo capitão-mor Floriano de Camargo Penteado no ponto mais alto de Campinas, o Pico do Brumado, na Serra das Cabras, a Fazenda Bonfim foi uma das mais bem estruturadas de café da região, com máquina de beneficiamento a vapor e chegou, no início do século 20, a ter 223 mil pés de café. No final do século 19, a sede foi construída em taipa de mão e possui alpendre na parte superior do sobrado. Sua distinção espacial é típica das fazendas de café do início do século 19, com senzala disposta ao lado da sede (que não existe mais) e formada por um pátio interno para onde abrem as portas e janelas, restando apenas um portão de acesso para maior controle dos escravos.
Ainda hoje permanece o aqueduto onde o café era lavado e transportado, embora o terreiro esteja desativado desde 1937. Quando o Condepacc abriu o estudo de tombamento dessa fazenda, em 1990, levou em consideração que as fazendas de Joaquim Egídio são fundamentais para a compreensão da economia e produção do século 19, bem como as relações de trabalho ali existentes (mão de obra escrava e assalariada).
A Fazenda Bonfim é uma das mais preservadas fisicamente e tem vasto material histórico, importante para a memória de Campinas, mesmo porque estão intactos os edifícios originais. Arquitetonicamente, a casa sede da fazenda tem a mesma ostentação de outras construções da época. Com oito quartos e duas alcovas, ela é ampla e confortável.
Resistência de proprietários atrasa pesquisa
Segundo a historiadora Daisy Ribeiro, da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), o motivo da demora em concluir o estudo de tombamento é o mesmo que afeta outras 29 fazendas naquela região: a falta de funcionários na CSPC e a resistência dos proprietários em receber os técnicos e fornecer informações sobre os imóveis. De acordo com ela, diferente dos imóveis urbanos, que possuem históricos na Prefeitura, nas fazendas não há esses registros e é necessário um levantamento mais trabalhoso. Assim, não há previsão de quando os estudos das 29 fazendas, abertos em 2005, serão concluídos.
Entre as tombadas, 15 estão em Joaquim Egídio: Sertão, Santana da Lapa, Capoeira Grande, Palmeiras, Boa Vista, Santa Mônica, Cabras, São Joaquim, São Pedro, Guariroba, Três Pedras, São José, Santa Maria, Santo Antônio de Braga, São Lourenço.
Em Sousas são nove fazendas: Fazendinha, São João, Iracema, Santana do Atalaia, Sant’Ana, Alpes, das Pedras, Espírito Santo e Roseira. Outras nove na área da Administração Regional 14: Santa Cândida, Monte d’Este, Pau d’Alho, Sete Quedas, Recreio, São João do Atibaia, São Quirino, Jaguari e São João. (MTC/AAN)

Fonte: Correio Popular